Choque: tipos, sinais e cuidados de enfermagem
Postado em 11/10/2026
Pressão baixa é só uma parte da história. O choque começa antes da hipotensão, e o Enfermeiro que monitora pele, diurese e nível de consciência costuma ser o primeiro a perceber a mudança.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaChoque é uma falência circulatória aguda em que a oferta de oxigênio não atende à demanda dos tecidos. Ele é classificado em quatro grandes tipos: hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo e distributivo (que inclui o séptico, o anafilático e o neurogênico). Os sinais clássicos de hipoperfusão aparecem em três "janelas": pele fria ou moteada com enchimento capilar lento, débito urinário reduzido e alteração do nível de consciência, geralmente com lactato elevado. O cuidado de enfermagem envolve reconhecimento precoce, monitorização contínua, acesso vascular, administração segura de fluidos e vasopressores conforme prescrição e reavaliação frequente.
O que é choque, em termos fisiológicos
O choque é a expressão clínica de uma falência circulatória que leva à oxigenação celular inadequada. Quando o oxigênio não chega ou não é aproveitado, a célula passa ao metabolismo anaeróbio e produz lactato. Se o processo não é revertido, surgem disfunções orgânicas em cadeia.
Um ponto importante para a prática: a hipotensão arterial é frequente, mas nem sempre está presente no início. Mecanismos compensatórios, como taquicardia e vasoconstrição, podem manter a pressão em valores aceitáveis enquanto os tecidos já sofrem. Por isso a avaliação de perfusão vale tanto quanto o número no monitor.
Os quatro tipos de choque
| Tipo | Mecanismo principal | Exemplos | Pistas na avaliação |
|---|---|---|---|
| Hipovolêmico | Perda de volume circulante | Hemorragia, diarreia e vômitos intensos, queimaduras extensas | Veias colabadas, mucosas secas, história de perda |
| Cardiogênico | Falha da bomba cardíaca | Infarto extenso, arritmias graves, miocardite | Congestão pulmonar, estase jugular, dor torácica |
| Obstrutivo | Obstáculo ao fluxo sanguíneo | Tromboembolismo pulmonar maciço, tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo | Estase jugular com pulmões limpos ou murmúrio ausente de um lado |
| Distributivo | Vasodilatação e má distribuição do fluxo | Sepse, anafilaxia, lesão medular alta | Extremidades quentes no início, febre ou urticária, bradicardia no neurogênico |
Na UTI, o choque séptico é o tipo distributivo mais comum, mas um mesmo paciente pode ter mais de um mecanismo ao mesmo tempo, como sepse associada a disfunção miocárdica. O reconhecimento do tipo orienta o tratamento: volume repõe perdas, mas pode piorar o choque cardiogênico; o choque obstrutivo só se resolve quando a causa é removida.
Sinais de alerta: as três janelas da perfusão
- Pele. Extremidades frias, palidez, pele moteada e tempo de enchimento capilar prolongado.
- Rins. Queda do débito urinário. O controle rigoroso da diurese, horário quando indicado, é uma das ferramentas mais sensíveis à disposição da enfermagem.
- Cérebro. Agitação, confusão, sonolência ou rebaixamento do nível de consciência.
Somam-se a esses sinais a taquicardia, a taquipneia, a hipotensão (sobretudo a queda da pressão arterial média) e o lactato elevado. Tendências importam mais do que valores isolados: uma frequência cardíaca subindo hora a hora, com diurese caindo, merece comunicação imediata à equipe médica.
O que dizem as diretrizes de sepse de 2026
A Surviving Sepsis Campaign publicou em 2026 suas novas diretrizes internacionais. Para adultos com choque séptico, elas recomendam uma pressão arterial média inicial de 65 mmHg, manejada como uma faixa e não como um número fixo, e sugerem faixa inicial de 60 a 65 mmHg para pessoas com 65 anos ou mais. A noradrenalina é o vasopressor de primeira linha. A diretriz sugere iniciar o vasopressor por via periférica para restaurar a pressão, em vez de atrasar o tratamento à espera de um acesso central, e propõe associar vasopressina quando a dose de noradrenalina está em escalada.
Na ressuscitação volêmica, os cristaloides são a primeira escolha, com preferência pelos balanceados em relação à solução fisiológica a 0,9%. A medida do lactato é sugerida, e sua dosagem seriada pode orientar a ressuscitação, assim como o tempo de enchimento capilar, usado como complemento a outras medidas de perfusão. O aprofundamento do reconhecimento da sepse está no post sobre o papel do Enfermeiro no reconhecimento precoce, indicado ao final.
Perguntas frequentes
Todo paciente em choque está hipotenso?
Não. Na fase compensada, a pressão pode estar normal enquanto já há sinais de hipoperfusão, como taquicardia, oligúria, pele fria e lactato elevado.
Qual é o choque mais frequente na UTI?
O distributivo de origem séptica é o mais lembrado na terapia intensiva, mas a frequência varia conforme o perfil da unidade. Unidades cardiológicas, por exemplo, atendem mais choque cardiogênico.
Noradrenalina pode correr em veia periférica?
A diretriz de sepse de 2026 sugere iniciar o vasopressor por via periférica para não atrasar o tratamento, com vigilância do sítio. A decisão e o tempo de permanência seguem o protocolo institucional.
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Referências
- Vincent JL, De Backer D. Circulatory shock. N Engl J Med. 2013;369(18):1726-34.
- Prescott HC, Antonelli M, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2026. Crit Care Med. 2026.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 703/2022. Atuação do Enfermeiro na punção arterial para gasometria e instalação de cateter intra-arterial para monitorização da pressão arterial invasiva. Brasília: Cofen; 2022.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: Cofen; 2024.
