Dor torácica e infarto: protocolo de atendimento

Dor torácica e infarto: protocolo de atendimento

Postado em 11/10/2026

Dor no peito é uma das queixas mais comuns da emergência e uma das que mais exigem rapidez. Um protocolo bem executado pela enfermagem separa, em minutos, quem precisa de reperfusão imediata.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaTodo paciente com dor torácica aguda deve ter um eletrocardiograma de 12 derivações realizado e interpretado em até 10 minutos da chegada, como recomendam as diretrizes americana de 2021 e europeia de 2023. O ECG define se há supradesnivelamento do segmento ST, situação que exige reperfusão imediata. Sem supra, a troponina de alta sensibilidade em protocolos de 0 h e 1 h, ou 0 h e 2 h, ajuda a confirmar ou descartar o infarto. A enfermagem prioriza o atendimento na classificação de risco, monitoriza, garante acesso venoso, administra medicamentos conforme protocolo e fica pronta para arritmias e parada cardiorrespiratória.

Por que o tempo é o centro do protocolo

No infarto agudo do miocárdio, a área de músculo cardíaco perdida cresce com o tempo de oclusão da artéria. As diretrizes organizam o atendimento em metas de tempo, e várias delas dependem diretamente do fluxo de enfermagem: do acolhimento ao ECG, do ECG ao laudo e do diagnóstico à sala de hemodinâmica.

A diretriz de dor torácica de 2021 das sociedades americanas (AHA, ACC e outras) e a diretriz de síndromes coronarianas agudas de 2023 da Sociedade Europeia de Cardiologia concordam: o ECG deve ser feito em até 10 minutos do primeiro contato médico ou da chegada ao serviço.

Passo a passo do atendimento inicial

  1. Classificação de risco. Dor torácica sugestiva de origem cardíaca recebe prioridade alta. Pergunte início, localização, irradiação, duração, fatores de piora e sintomas associados, como sudorese, náusea e dispneia.
  2. ECG em até 10 minutos. Realize o traçado de 12 derivações e encaminhe para interpretação imediata. Repita se a dor mudar ou se o primeiro ECG não for diagnóstico.
  3. Monitorização. Monitor cardíaco, oximetria e pressão arterial, com desfibrilador próximo.
  4. Acesso venoso e exames. Coleta de troponina e demais exames do protocolo.
  5. Medicamentos. Antiagregantes, anticoagulantes, nitratos e analgesia somente conforme prescrição e protocolo institucional, checando contraindicações.
  6. Oxigênio. Indicado quando há hipoxemia. O uso rotineiro em quem tem saturação normal não traz benefício.

Com supra ou sem supra de ST

SituaçãoO que defineConduta esperada
Infarto com supra de STSupradesnivelamento persistente do ST no ECG com quadro compatívelReperfusão imediata: angioplastia primária ou fibrinólise quando a angioplastia não for viável a tempo
Síndrome coronariana aguda sem supraECG sem supra, com troponina elevada (infarto sem supra) ou normal (angina instável)Estratificação de risco e estratégia invasiva conforme a gravidade

A diretriz europeia de 2023 recomenda a fibrinólise quando a angioplastia primária não puder ser feita em até 120 minutos do diagnóstico. Para o infarto sem supra, recomenda o algoritmo de troponina de alta sensibilidade 0 h/1 h como melhor opção, e o 0 h/2 h como segunda escolha. A definição de infarto exige elevação ou queda da troponina com ao menos um valor acima do percentil 99 do limite de referência, associada a evidência de isquemia, segundo a Quarta Definição Universal de Infarto.

Nem toda dor torácica grave é infarto

O protocolo também serve para não deixar passar outros diagnósticos com risco de morte: dissecção aguda de aorta, tromboembolismo pulmonar, pneumotórax hipertensivo e tamponamento cardíaco. Dor lancinante irradiada para o dorso, diferença de pressão entre os braços, dispneia súbita ou murmúrio vesicular ausente de um lado são sinais que o Enfermeiro deve comunicar de imediato. Nesses casos, alguns medicamentos usados na síndrome coronariana podem ser perigosos, o que reforça a importância de seguir a prescrição.

Perguntas frequentes

Em quanto tempo o ECG deve ser feito na dor torácica?

Em até 10 minutos da chegada ou do primeiro contato, segundo as diretrizes americana de 2021 e europeia de 2023.

Troponina normal descarta infarto?

Uma dosagem isolada, muito precoce, pode não descartar. Por isso os protocolos repetem a troponina de alta sensibilidade em 1 ou 2 horas.

Todo paciente com dor no peito deve receber oxigênio?

Não. O oxigênio é indicado quando há hipoxemia. Em pacientes com saturação normal, o uso rotineiro não é recomendado.

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Referências

  1. Gulati M, Levy PD, Mukherjee D, et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain. Circulation. 2021;144(22):e368-e454.
  2. Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720-3826.
  3. Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS, et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction (2018). Circulation. 2018;138(20):e618-e651.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 704/2022. Atuação da enfermagem na utilização do equipamento de desfibrilação. Brasília: Cofen; 2022.
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