Escala de Coma de Glasgow: como aplicar com resposta pupilar

Escala de Coma de Glasgow: como aplicar com resposta pupilar

Postado em 11/10/2026

A Escala de Coma de Glasgow parece simples, mas erros de estímulo, de pontuação e de registro são comuns. Veja a versão atualizada, como somar a resposta pupilar e como evitar as armadilhas mais frequentes.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA Escala de Coma de Glasgow avalia abertura ocular (1 a 4 pontos), resposta verbal (1 a 5) e resposta motora (1 a 6), com total de 3 a 15. O ideal é registrar os componentes separados, por exemplo E3V4M6, e não apenas a soma. Desde 2018, existe o escore GCS-P: subtrai-se do total da escala o número de pupilas que não reagem à luz (0, 1 ou 2), o que gera valores de 1 a 15. Quando um componente não pode ser avaliado, como a fala em paciente intubado, registra-se "NT" (não testável).

De onde vem a escala e por que ela foi atualizada

A escala foi publicada em 1974 por Graham Teasdale e Bryan Jennett, na Universidade de Glasgow, para padronizar a avaliação do nível de consciência após lesão cerebral. Em 2014, quarenta anos depois, os autores revisaram a terminologia para reduzir ambiguidades, recomendaram o registro por componentes e padronizaram os locais de estímulo. Em 2018, foi proposta a extensão com a reatividade pupilar, o GCS-P, que acrescenta informação prognóstica no traumatismo cranioencefálico.

A escala atualizada, item por item

ComponenteRespostaPontos
Abertura ocular (E)Espontânea4
Ao som3
À pressão2
Ausente1
Resposta verbal (V)Orientada5
Confusa4
Palavras3
Sons2
Ausente1
Resposta motora (M)Obedece comandos6
Localiza5
Flexão normal4
Flexão anormal3
Extensão2
Ausente1

Em todos os componentes, quando há um fator que impede a avaliação (olhos edemaciados, intubação, sequela prévia), registre "NT" e o motivo, em vez de atribuir 1 ponto.

Como aplicar em quatro passos

  1. Verifique. Identifique fatores que interferem na avaliação: sedação, intubação, barreira de idioma, déficit auditivo, lesões locais.
  2. Observe. Antes de qualquer estímulo, veja o que o paciente faz espontaneamente: abre os olhos, fala, movimenta os membros.
  3. Estimule. Primeiro com a voz, em tom normal e depois mais alto. Se não houver resposta, use estímulo físico por pressão: na ponta do dedo (estímulo periférico), no músculo trapézio ou na incisura supraorbital (estímulos centrais). A pressão no leito ungueal serve para abertura ocular e flexão; o estímulo central avalia se o paciente localiza.
  4. Pontue. Considere sempre a melhor resposta observada. Na resposta motora, vale o melhor membro.

Como calcular o GCS-P

O escore de reatividade pupilar é o número de pupilas que não reagem à luz: nenhuma (0), uma (1) ou as duas (2). O GCS-P é o total da escala menos esse número. Um paciente com Glasgow 7 e as duas pupilas sem reação tem GCS-P igual a 5. Brennan, Murray e Teasdale mostraram que essa combinação amplia a faixa de gravidade e melhora a estimativa de prognóstico no traumatismo cranioencefálico, sem exigir cálculos complexos.

Avalie as pupilas quanto ao tamanho, à simetria e à reação à luz. Registre separadamente a escala, as pupilas e o GCS-P, porque cada informação tem uso clínico próprio.

Erros mais comuns na aplicação

  • Registrar só a soma. Dois pacientes com Glasgow 8 podem ter perfis muito diferentes, como E1V2M5 e E2V1M5, e a tendência de cada componente orienta condutas.
  • Atribuir 1 ponto ao que não foi testado. Em paciente intubado ou com edema palpebral, o correto é NT, e não "ausente".
  • Estímulo inadequado. Fricção esternal e estímulos dolorosos sem padrão geram respostas inconsistentes e lesões de pele. Use os locais de pressão padronizados.
  • Confundir flexão normal e anormal. Na flexão normal, o braço se afasta rapidamente do estímulo; na anormal, a flexão é lenta e estereotipada, com o antebraço rodando e o punho fletido.

Perguntas frequentes

Ainda se usa a classificação leve, moderado e grave?

No traumatismo cranioencefálico, é comum classificar como leve (13 a 15), moderado (9 a 12) e grave (3 a 8). Mas a descrição por componentes informa mais do que a soma.

Como avaliar Glasgow em paciente sedado?

A sedação interfere na resposta e deve ser registrada. Para acompanhar o nível de sedação, use escalas próprias, como a RASS, e aplique Glasgow conforme o protocolo da unidade.

O que é GCS-P?

É o total da Escala de Coma de Glasgow menos o número de pupilas sem reação à luz. Varia de 1 a 15.

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Referências

  1. Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. Lancet. 1974;2(7872):81-4.
  2. Teasdale G, Maas A, Lecky F, Manley G, Stocchetti N, Murray G. The Glasgow Coma Scale at 40 years: standing the test of time. Lancet Neurol. 2014;13(8):844-54.
  3. Brennan PM, Murray GD, Teasdale GM. Simplifying the use of prognostic information in traumatic brain injury. Part 1: the GCS-Pupils score: an extended index of clinical severity. J Neurosurg. 2018;128(6):1612-20.
  4. Glasgow Coma Scale. Site oficial. Disponível em: https://www.glasgowcomascale.org
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